Sobre Displasia Coxofemoral - DCF

É um desenvolvimento anormal da articulação coxofemoral, hereditária, é geneticamente recessiva, por isso tanto o macho quanto a fêmea precisa ter a doença, ou pelo menos o gen para que os filhotes também tenham e é fortemente influenciada por fatores de manejo e meio-ambiente. O ganho de peso e crescimento por meio de ingestão excessiva nutricional pode causar disparidade de desenvolvimento de tecidos moles de apoio, induzindo o quadro de displasia. Essa enfermidade se caracteriza por subluxação ou luxação completa da cabeça femoral, causando dor, instabilidade articular e osteoartrite degenerativa. A incidência desta doença é maior em raças de porte grande, especialmente Pastor Alemão, Rottweiler, Fila e São Bernardo, mas qualquer cão de qualquer raça pode ser afetado. Entre os sintomas, observa-se dificuldade para levantar após o repouso, intolerância ao exercício e claudicação. Progressivamente, é observado atrofia da musculatura da coxa, marcha gingada e agravamento dos sintomas iniciais.

O diagnóstico é radiográfico, e somente veterinário e radiologistas especialistas podem determinar o grau de displasia. É importante salientar que nem sempre ocorrem sinais clínicos compatíveis com o grau de displasia. Geralmente estas radiografias são realizadas após os 12 meses de vida, podendo ser repetidas para descartar ou confirmar quadro aos 24 meses de vida.

Existem diversas categorias de displasia coxofemoral, de acordo com a gravidade. Abaixo temos um quadro com estas categorias:


Categorias de Displasia Coxofemoral

HD - (Categoria A): animal sem displasia

HD +/- (Categoria B): articulação quase normal

HD + (Categoria C): displasia leve

HD ++ (Categoria D): displasia moderada

HD +++ (Categoria E): displasia severa

O Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária (CBRV) emite laudos de displasia coxofemoral. Para se conseguir um laudo é preciso ter em mãos:

  • A radiografia das articulações;
  • Uma cópia autenticada do pedigree do animal;
  • Um termo de responsabilidade do veterinário;
  • Um termo de responsabilidade do proprietário.

Vários outros problemas neurológicos e ortopédicos causam sintomatologia semelhante, e por esse motivo é indicada a consulta a um especialista quando se observarem sintomas.

O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico, dependendo da idade, grau de desconforto, achados radiográficos e expectativas do proprietário. O tratamento conservativo visa minimizar a dor e o desconforto, com uso de antiinflamatórios, repouso e condroprotetores. Em longo prazo o tratamento envolve controle de peso e exercícios moderados/fisioterapia. Os procedimentos cirúrgicos mais realizados são a retirada da cabeça do fêmur (osteotomia) ou a substituição da articulação degenerada por uma prótese.

Todos os cães com displasia devem ser retirados da reprodução, já que esta é uma condição hereditária.

Dicas para fatores que podem agravar a displasia:

Fatores prejudiciais:
- obesidade;
- suplementação alimentar sem acompanhamento veterinário;
- exercícios forçados e/ou descomedidos;
- permanecer muito tempo em superfície escorregadia e/ou em locais que possam sofrer quedas constantes por conta do piso;
- acesso livre a escadarias.

Fatores benéficos:
- nadar (muito bom);
- exercícios periódicos, sob orientação e sem exageros, respeitando os limites do filhote;
- sob supervisão do veterinário, dar condroprotetores durante infância e crescimento;
- dar alimentação balanceada e adequada;
- controlar o peso;
- manter o filhote em piso adequado;

Dra. Maria Luisa Buzin - CRMV 5845-1