Toxoplasmose: Mitos e Verdades

Por Marcio Cerqueira

Recentemente acompanhamos pela televisão e jornais a morte da atriz Miriam Pires, a Dona Clementina da novela Senhora do Destino, aos 77 anos após internação devido à toxoplasmose. Após essa fatalidade, muitas dúvidas sobre essa doença estão surgindo principalmente sobre a forma de contaminação e o papel dos gatos na transmissão.

A toxoplasmose é uma infecção causada por um protozoário chamado Toxoplasma gondii. Trata-se de um parasita que infecta a grande maioria dos animais de sangue quente tais como aves, bovinos, ovinos suínos caprinos, gatos, cães e inclusive o homem.

O gato é a única espécie doméstica no qual este parasita consegue se multiplicar e, por isso, pode eliminar nas fezes a forma infectante do parasita. O gato adquiri a doença quando em contato com fezes contaminadas de outro gato ou, através da ingestão de carne crua ou mal passada. Uma das maneiras mais comuns de contaminação é através da ingestão de animais caçados pelos próprios felinos.

Após a infecção, os gatos adquirem imunidade ao parasita e deixam de eliminar a forma infectante nas fezes, ou seja, o parasita entra em equilíbrio com o gato e por isso NÃO transmitem mais a doença.

A infecção humana por contato direto com os gatos é extremamente improvável, pois as fezes frescas não transmitem a doença. Além disso, os gatos, em geral, defecam e enterram as fezes em terra fofa ou areia e, pouco ou nenhum resíduo fecal fica aderido aos pêlos. Somado a tudo isso, os felinos possuem cuidadoso hábito de limpeza, não sendo possível encontrar material fecal na pelagem dos gatos. Portanto, a possibilidade de transmissão para seres humanos pelo ato de tocar ou acariciar um gato é mínima ou inexistente.

Sendo assim, NÃO se adquire a doença através de contato próximo com o animal, o fato deste dormir dentro de casa ou de você brincar bastante com ele não apresenta nenhum risco de infecção.

Mas, vale a pena lembrar, que sempre devemos manter higiene quando manipulamos as fezes dos animais. Mantenha sempre a caixa de areia ou o local onde o gatinho defeca sempre limpo, utilizando uma pá ou rastelo para remover as fezes e troque a areia freqüentemente.

Outra forma de infecção e mais freqüente, é através da ingestão de carne crua ou mal-cozida contendo cistos teciduais ou, através de água e alimentos contaminados com fezes de gato. Por isso, sempre mantenha os hábito de higiene tais como lavar as mãos, filtrar ou ferver água, lavar frutas e verduras antes do consumo e evite a ingestão de carne mal-cozida.

Não tenha medo de ficar doente pelo fato de ter um gato, mas é importante manter a saúde do seu animal sempre em dia, fornecendo sempre boa alimentação (se possível ração), vacinando anualmente e indo freqüentemente ao veterinário. Espero ter ajudado a esclarecer um pouco sobre essa doença e me coloco a disposição para qualquer dúvida.

Dr. Lucas Campos de Sá Rodrigues Médico Veterinário CRMV-SP: 15446

Contato: (12) 8112-1836 Petlândia: (12) 3631-1618

Toxoplasmose

É uma parasitose das mais difundidas em todo o mundo e que acomete tanto seres humanos quanto animais, tendo importância médica e veterinária.

O agente etiológico é o protozoário denominado Toxoplasma gondi. Nos humanos, a infecção ocorre na maioria das vezes de uma maneira silenciosa, também chamadas de forma assintomática ou sub-clínica, que não traz nenhum prejuízo ao paciente.

As manifestações clínicas são menos freqüentes e, aparecem em apenas alguns pacientes após um período de incubação entre três a nove dias.

Neste caso o paciente pode apresentar:

  • febre;
  • linfoadenopatia;
  • sinais clínicos de pneumonia;
  • miocardites;
  • encefalites.

Deve-se ressaltar o aspecto oportunista da Toxoplasmose atingindo pacientes imunodeprimidos (principalmente pacientes aidéticos), de forma grave com grande comprometimento do sistema nervoso central.

O diagnóstico deve ser realizado com base nas suspeitas clinicas seguida de exames laboratoriais. Grande parte dos casos não requer tratamento medicamentoso. Nas formas mais graves da doença, a associação de sulfadiazina e pirimetamina é a preferida, pois há um sinergismo de ambas com o parasita. O tratamento costuma durar três semanas com excelente evolução clínica.

Toxoplasmose Congênita

Em nosso meio, 40 a 50% das gestantes são soro-positivas para a doença, ou seja, já tiveram contato com o parasita mas não apresentaram a doença. Neste caso, a criança esta a salvo da toxoplasmose e, não irá apresentar nenhum problema.

Das mães soro-negativas, que nunca entraram em contato com o parasita e tiverem Toxoplasmose durante a gestação apenas 40% irão transmitir a doença para a criança. O acometimento ocorre via placenta através de uma forma ativa do parasita, que causará na criança inflamação, necrose celular, desnutrição e calcificação principalmente no sistema nervoso central e túnicas oculares.

O tratamento precoce evita a doença, por isso a importância do exame pré-natal.

Dr. Celso Luiz de Sá Rodrigues Pediatra